18.9.08
Conversas de Msn
ta giro o teu blog
RiTa *RiPoLin* diz:
gostei dos textos
RiTa *RiPoLin* diz:
assim um bocado complexos
RiTa *RiPoLin* diz:
e deprimentes
RiTa *RiPoLin* diz:
mas gosto
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
kd tiveres tempo tens de ver os arkivos
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
k tem maIs
RiTa *RiPoLin* diz:
isto e' demasiado pa um dia so.. mta carga "negativa"
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
eu disse kd tiveres tempo
RiTa *RiPoLin* diz:
nao se trata de tempo
RiTa *RiPoLin* diz:
trata-se de espirito
RiTa *RiPoLin* diz:
estou numa fase sensivel
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
ahh
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
te benne
RiTa *RiPoLin* diz:
essas coisas filosoficas abalam-me
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
tb a mim
RiTa *RiPoLin* diz:
seriamente
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
eu escrevo mt de akordo km tou
RiTa *RiPoLin* diz:
tmb eu.. mas geralmente so escrevo qd tou na merda
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
ya km eu
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
o k basicamente e konstante
RiTa *RiPoLin* diz:
estas num estado de "depressao" constante ?
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
yeps
RiTa *RiPoLin* diz:
a serio ?
RiTa *RiPoLin* diz:
tph um "no fundo do poço crónico" ?
RiTa *RiPoLin* diz:
como e' k e' possivel ?
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
e possivel
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
passas a ver as koisas destorcidas
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
e a viver numa constante melancolia em que q felicidade te incomoda
RiTa *RiPoLin* diz:
oh, entao e' uma opçao ?
RiTa *RiPoLin* diz:
um estilo de vida ?
RiTa *RiPoLin* diz:
nao sonhar muito alto, nao ter expectativas ?
RiTa *RiPoLin* diz:
pa nao cair de uma altitude colossal ?
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
ya
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
passas a ver o negativo km o uniko certo na tua vida
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
e kd o negativo te supreende
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
ves algo de bom
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
e fikas por momentos contente
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
mas dps voltas ao estado de negação das coisas
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
e da vida
RiTa *RiPoLin* diz:
mas isso de certa forma e' bom.. pk assim nao ha expectativas e assim nunca te desiludes, so te surpreendes pela positiva
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
ya
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
e vdd
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
mas e perigoso
RiTa *RiPoLin* diz:
tu es a reencarnaçao de ricardo reis ? o.O
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
axo k
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
identifico-me ms com Antero de Quental
RiTa *RiPoLin* diz:
ai, e' estranho
RiTa *RiPoLin* diz:
dsclp a indscriçao
RiTa *RiPoLin* diz:
mas tens alguma depressao ? assim.. uma cena medica qq ?
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
tenho
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
tou a ser medicada
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
sinto me melhor mas n saIo do meu abismo
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
constante
RiTa *RiPoLin* diz:
ai eu nao sabia nao fazia ideia sequer
RiTa *RiPoLin* diz:
pareces tao
RiTa *RiPoLin* diz:
sei la
RiTa *RiPoLin* diz:
tao alegre
RiTa *RiPoLin* diz:
tao viva
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
pois eu sei que enga bem
RiTa *RiPoLin* diz:
tao despreocupada
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
isso e um pouco para afastar tudo
RiTa *RiPoLin* diz:
a serio e nao tens qq tipo de nuvem negra a acompanhar-te es radiante
RiTa *RiPoLin* diz:
a serio
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
mas se convivesses comigo irias ver como eu realmente sou
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
radiante pa enganar
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
convem k ng saIba dessas coisas
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
(eu n tenho vergonha nenhUma)
RiTa *RiPoLin* diz:
achas mmo ? podes confiar em mim...
RiTa *RiPoLin* diz:
eu percebo
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
mas tentamos sempre disfraçar a podridao
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
que vaI ca dentro
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
a tristeza
RiTa *RiPoLin* diz:
mas nao ha necessidade de ninguem saber disso
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
pk afinal somos fortes e precisamos de nada nem de ninguém
RiTa *RiPoLin* diz:
pois, esse e' o meu lema (frustrado) de vida
RiTa *RiPoLin* diz:
pk realmente nao e' verdade
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
de todo
RiTa *RiPoLin* diz:
mas o pk desses pensamentos ?
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
precisamos maIs dos outros do que imaginamos
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
sei la
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
eu kresci a pensar as
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
sou as desde os 15 aNos
RiTa *RiPoLin* diz:
meu deus amadureceste muito depressa entao
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
ya
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
e aprendi as coisas
RiTa *RiPoLin* diz:
eu aos 15 anos nao pensava para alem do meu umbigo
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
sempre plo lado negativo
RiTa *RiPoLin* diz:
parecendo k nao mas em 3 anos cresci muito, muito, muito !
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
o que pode também explicar este estado
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
constante de negativismo e pessimismo
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
(k eu xamo de realismo)
RiTa *RiPoLin* diz:
mas pk ? nao entendo ! tiveste alguma coisa na tua vida k t fez.. sei la.. ser assim ?
RiTa *RiPoLin* diz:
nem sp...
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
talvez
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
tipo poukos amigos
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
sempre koisas negativas a frente dos meus olhos
RiTa *RiPoLin* diz:
poucos amigos ?
RiTa *RiPoLin* diz:
tu ?
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
s
[Gerinha... ]A menina dança? Sim..dancei! diz:
mt poukos
14.9.08
Um Domingo diferente

Mesmo acabadinho de ir buscar ao quiosque da vila de manhã cedo (não fosse ele esgotar) através
da promoção do Correio da Manhã, foi uma tarde intensa e diferente....agora a curiosidade fica-se por Tropa de Elite (aceitam-se ofertas do DVD lol) e Julgamento também em promoção através do Correio da Manhã, mas só para Outubro. até lá vou pesquisando mais sobre as favelas
Com o cinema português sempre....pena não ver os filmes que tanto queria
alguém sabe de alguma sala que passe cinema português?
9.9.08
Hoje acordei assim

Por vezes, quando nos sentimos morrer, vemos como é disparatado saber que tudo vai acabar. Precisamente quando tínhamos descoberto alguém com quem podíamos falar.
Passamos a vida numa espécie de silêncio, numa mudez terrível que se quebra, ainda que raramente, diante de certas coisas que nos contaram e nos deslumbraram.
Mas é tarde. As coisas que nos deslumbraram eram efémeras, breves. E não se pode voltar atrás.
Mentir é necessário. É a melhor maneira de esconder o que há de doloroso na verdade.
Repara, através dos meus olhos descobrirás como é grande a tristeza do mundo. Apenas isso. E, quando aqui não estiveres, espetarei todas as facas que encontrar nas paredes febris da noite.
4.9.08
Diferente? Sim Indiferente...Nunca ( eu fiz hoje a minha parte)
.bmp)
A Imprensa Nacional-Casa da Moeda lança uma iniciativa
de apoio à AMI com a moeda intitulada «Uma Moeda Contra
a Indiferença»
A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) apoia a AMI (Assistência Médica Internacional)
com uma campanha Institucional ao associar a numismática à luta pela afirmação de valores
de solidariedade social e a apoiar entidades que se dedicam de forma abnegada e altruísta a
tais fins.
Apoiar a luta da AMI contra a doença e a fome no mundo é o propósito desta campanha «Uma
Moeda Contra a Indiferença» Integrada na série de moedas «Uma Moeda Uma Causa»
A moeda da autoria do escultor José Cândido tem o valor facial de €1,5, com emissão de 5 000
exemplares em prata, com acabamento Proof (Prova Numismática), apresentada em estojo
com certificado de garantia numerado; e com emissão de 300 000 exemplares em cuproníquel
com acabamento FDC (Flor de Cunho) apresentada em carteira ilustrada com forma de
marcador de livro.
Pela venda de cada moeda na versão FDC (Flor de Cunho) por 5 euros (IVA Incluído), a INCM
dará à AMI 1 euro. Com esse euro, a AMI tratará seis crianças em idade pré-escolar com
malária. No final desta campanha, a AMI receberá meios para tratar 1 800 000 crianças.
Estas moedas poderão ser adquiridas nas lojas da INCM, na sua loja on-line ou nos seus
parceiros de comercialização deste projecto; Caixa Geral de Depósitos, Montepio Geral e
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo
Desde a sua fundação em Dezembro de 1984 que a AMI (Assistência Médica Internacional)
trava uma luta contra as duas doenças mais graves do mundo: a intolerância e a indiferença,
as quais considera estar na origem do facto de três quartos da população mundial viver de
forma indigna.
A dignificação da vida humana é o principal objectivo do trabalho da AMI, que tem como
principio a saúde física, mental, social e ambiental.
O seu trabalho assenta em quatro pilares: a Acção Internacional, em favor das vitimas de
guerras, catástrofes e da pobreza extrema; a Acção Nacional em favor dos excluídos sociais; a
Acção de Alertar Consciências sensibilizando a opinião publica para uma indignação activa em
relação a temas preocupantes do nosso mundo (paz, justiça, ambiente, etc.) e os direitos
humanos; a Acção Ambiental na qual demonstra que cuidar da saúde é também cuidar do
ambiente.
A AMI depende maioritariamente dos fundos que angaria junto da sociedade civil, garante da
sua independência financeira e liberdade de acção.
2.9.08
Noite

e entre os grilos rápidos dos condenados, encontrei o reflexo
de amor antigo. Deixou-me um gosto de sangue nos dentes,
os lábios gretados num roxo de ânsia. Rasgou-se a alma
num seco crepitar de papel. Estava imóvel, encostado aos ventos
e às marés, e o seu corpo exalava o cheiro húmido dos litorais.
Falava
Baixo, num segredo de sombra, num horizonte de bocas
sem alegria,
arrastando a voz num sussurro de litania. Fiquei de longe,
a olhar, enquanto o sol nascia.
25.8.08
19.8.08
Sam Sparro and Katy Perry - Black and Cold (Remix)
Porque hoje estou num dia não...não quero pensar...ouvi apenas esta música e fiquei melhor
8.8.08

Viaja na asa nocturna do oceano, habitante do país onde perdemos a inocência.
…
(lembro-me – como se fosse agora – a tarde caía sobre o mar, e a sombra dos barcos afundava-se na sombra mais espessa da noite.
Eu afundava-me em ti – mas quando de novo acordei nada restava do que conhecêramos.
Do sol apenas ficara a palavra sol escrita a giz numa parede da memória. Sem incandescência, óssea. Polida pelo remoto vento do esquecimento.)
Quem está aí para morrer?
Quem está aí para a travessia dos vastos oceanos?
(A janela aberta, o copo de cerveja, a noite – sempre a noite ecoando passos, vozes, silêncios.
A mão, a tua mão quase líquida cercando o sexo. A língua na humidade doutra língua. O corpo celebrando a vida doutro corpo.)
3.8.08
A menina dança?(Parte II)
- Sim, dancei!Porquê?
- Pareceu-me reconhecê-la no Sábado no Anfiteatro.
- Há muitas maneiras de se reconhecer uma pessoa... através do olhar, do cheiro, do cabelo, do falar...
- Está bem!
23.7.08
3.7.08

Não!
Não me censuro.
Fecho os olhos e encosto a minha cara no espelho.
Sei que está lá e não pode desaparecer.
Não!
A insónia não me quer devolver à cama, ao sono profundo, ao descanso.
Sou eu…
Não quero acordar…
Deixa-me estar assim à vontade do acaso.
Pega nas minhas mãos.
Que te parecem?
Gastas, belas, inúteis, umas simples mãos?
As minhas mãos já suportaram muito frio, já pegaram
Em muito peso, já trabalharam muito…
Agora estão aqui inúteis no desalento da noite
Não são puras, não são belas, são as minhas mãos
E ninguém mas pode tirar
É o que resta da vida que vivi até hoje
26.6.08
10.6.08
1.6.08
30.5.08
Quisemos a presença permanente mas nunca a tivemos
Nalgum momento feliz nalgum lugar propício
Amámos a integridade de um corpo como uma chama de universo
Mas esse momento durou com a verde intensidade de um
(bosque
E foi como se tocássemos o tronco de uma estrela
Em breve se apagou o lume que dançava em flutuantes corpos
No entanto se a cinza se acendia
Com a pontiaguda e frágil boca de um desejo obstinado
O mundo podia ondular como um harmónio verde
Em que as sombras e o sol e o mar ao fundo
Constituíam o lugar privilegiado de um sentir
Que se inebriava com as mescladas manchas
Que a luz e a penumbra espalhavam sobre os cavalos
Que pastavam tranquilamente entre os castanheiros
Era uma visão simples mas uma visão total
Porque as figuras tinham o timbre tranquilo do silêncio
Nós explorámos estas zonas de respiração plácida
E penetrámos às vezes numa clareira entre giestas vermelhas
Com a sensação de que podíamos tocar o ouvido de veludo do
(mundo
Mas isto tudo eram explorações intervalares
Que não anulavam o que sobrava sempre
Porque era o inexorável depois o incessante efectivo
E agora perguntamos
Como pode a vida ter passado como uma nuvem obscura
E continuar a passar
Como se não fôssemos mais do que folhas de cinza
Procurámos estar onde estávamos
Mas era tão difícil manter em equilíbrio a coluna do silêncio
Tão desejável no entanto como entrar
No interior de um ovo de veludo
E hoje entre as violentas garras
Que pela sua exacerbação parecem derradeiras
Ainda procuramos a sabedoria de estar
Sem qualquer esperança
Esperando no entanto a delicadeza extrema
Dessa presença aérea que não é nada
Porque é simplesmente a ilusão do mundo liberta na visão do
(desejo
António Ramos Rosa " Deambulações oblíquas"
25.5.08
A vida
Mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
Quando não se espera, o atraso na preocupação
Dos teus olhos, e as nuvens que caíram
Mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
A abrir-se para dentro e para fora
Dos sentidos que nada têm a ver com círculos
Quadrados, rectângulos, nas linhas
Rectas e paralelas que se cruzam com as
Linhas da mão;
A vida que traz consigo as emoções e os acasos,
A luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
E dos encontros que sempre se soube que
Se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
Quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
O rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
Sob a luz indecisa que apenas mostra
As paredes nuas de manchas húmidas
No gesso da memória;
A vida feita dos seus
Corpos obscuros e das suas palavras
Próximas.
Nuno Júdice " Teoria Geral do Sentimento"
13.5.08
Elogio do Amor - Miguel Esteves Cardoso
9.5.08
Deus escreve direito

E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o início
Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca teu fervor mais austero
Tua exigência de ti e por entre
Espelhos deformados e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é o teu sol tua luz alimento
6.5.08

E hoje quem sou eu?
You don´t have to worry about me...
Sory.. I´ll do it again
4.5.08
Ninguém, suponho,admite verdadeiramente a existência real de outra pessoa. Pode conceder que essa pessoa seja viva, que sinta e pense como ele; mas haverá sempre um elemento anónimo de diferença, uma desvantagem materializada. Há figuras dos tempos idos,imagens espíritos em livros, que são para nós realidades maiores que aquelas indiferenças incarnadas que falam connosco por cima dos balcões , ou nos olham por acaso nos eléctricos, ou nos roçam,transeuntes, no acaso morto das ruas. Os outros não são para nós mais que paisagem, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.
Tenho por minhas, com maior parentesco intimidade, certas figuras que estão escritas nos livros, certas imagens que conheci de estampas, do que muitas pessoas, a que chamam reais, que são dessa inutilidade metafísica chamada carne e osso. E “ carne e osso”, de facto, as descreve bem; parecem coisas cortadas postas no exterior marmóreo de um talho, mortes sangrando como vidas, pernas e costelas de Destino.
Não me envergonho de sentir assim porque já vi que todos sentem assim. O que parece haver de desprezo entre homem e homem, de indiferente que permite que se mate gente sem que se sinta que se mate, como entre os soldados, é que ninguém presta a devida atenção ao facto, parece que abstruso, de que os outros são almas também.
Livro Do Desassossego
1.5.08
Amália - Abandono
David Mourão Ferreira neste poema fez homenagem aos presos politicos do anterior Regime Português, que eram deportados para o campo do Tarrafal nas Ilhas de CaboVerde, Alaín Oulman, fez esta música tão envolvente que até uma pessoa se arrepia ao uvir a Grande Amália, em uma das suas mais belas criações.
27.4.08
22.4.08

Não me procures
Não sei qual o meu destino
Procuro a imensidão deste mundo tão pequeno
Sou uma rebelde em mim, em nada e em ninguém
Tenho como meta o infinito o nada o absoluto a certeza do ser quem nunca fui
Quero fazer do palco a minha vida
Ser uma personagem diferente todos os dias
Rir,Chorar,Gritar sem medo
Apregoar a lenda mais bela
Cantar a canção mais absurda
Não me condenes por ser assim
Não quero um mundo igual a toda a gente
Quero ser livre e voar para bem longe daqui
Para um lugar onde não me encontres
Para um lugar infinito onde o presente e o futuro nunca exista
Quero ser assim em mim
Deixa-me ser feliz
16.4.08
CARTA A MEUS FILHOS sobre os fuzilamentos de Goya
10.4.08
Porcupine Tree Don't Hate Me

30.3.08

27.3.08
Dia Mundial do Teatro
Uma noite, em tempos imemoriais, um grupo de homens tinha-se reunido numa pedreira para se aquecer à volta de uma fogueira a contar histórias. Quando de repente, um deles teve a ideia de se levantar e usar a sua própria sombra para ilustrar a sua história. Socorrendo-se da luz das chamas, fez aparecer nas paredes da pedreira figuras maiores do que o natural. Os outros, deslumbrados, foram reconhecendo o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.
No nosso tempo, a luz dos projectores substitui a luz da fogueira original e a maquinaria de cena as paredes da pedreira. E com todo o respeito por certos puristas, esta fábula recorda-nos que a tecnologia está na verdadeira origem do teatro, que não deve ser considerada como uma ameaça, mas como um elemento congregador.
A sobrevivência da arte teatral depende da sua capacidade de reinventar-se, utilizando novas ferramentas e novas linguagens. Caso contrario, como poderia o teatro continuar a ser o testemunho dos grandes embates da sua época e promover a compreensão entre os povos, se ele mesmo não desse prova de abertura? Como poderia orgulhar-se de oferecer soluções para os problemas de intolerância, de exclusão e de racismo, se, na sua própria prática, se recusasse à mestiçagem e à integração?
Para representar o mundo com toda a sua complexidade, o artista deve propor formas e ideias novas e mostrar confiança na inteligência do espectador capaz de reconhecer, ele próprio, a silhueta da humanidade nesse jogo perpétuo de luz e sombra.
É verdade que, por brincar demais com o fogo, o homem corre o risco de se queimar, mas pode também ter a possibilidade de deslumbrar e de iluminar.
ROBERT LEPAGE
QUEBEC
26.3.08
Amnesty International | Your signature is more powerful than
Vale mesmo a pena pensar nisto
Basta de indiferença
16.3.08
Pedro Paixão " Ladrão de Fogo"
11.3.08

20.2.08
18.2.08
Mudar

22.1.08
14.1.08
28.12.07
The Last Song I´m Waisting on you
20.12.07
Separação do príncipe e da escrava
Vemo-lo ao longe, afasta-se devagar, e não tem de ser triste.
Hoje, eu caminho na direcção do passado. Tu caminhas para
O futuro. A noite. Depois desta noite, para mim, será ontem.
Depois desta noite, tu estarás em amanhã. Saberemos que haverá
Muitas noites. Haverá dias, meses e anos que atravessaremos.
Atravessei muitos anos, direi. Atravessarás muitos anos, dirás.
Sabemos que o passado e o futuro são caminhos que se cruzam
Não tem de ser triste. Talvez eu te encontre num dia em que eras
Muito nova, uma criança. Talvez eu sorria. Talvez tu sorrias.
Talvez tu me encontres num dia em que eu seja já muito velho,
Sem esperança de te voltar a ver. Talvez eu sorria. Talvez tu sorrias.
Não tem de ser triste. Vamos separar-nos agora. Este instante,
agora, será o teu passado. Este instante, agora, será o meu futuro.
12.12.07
Why Do I Desire
2.12.07
25.11.07
Um regresso de viagem

e tu, com a mão esquerda, apoias o corpo ao muro,
com a mão direita seguras-me o ombro. Eu
concluiria desse facto que a minha própria vida
se iria passar sem direcção certa,
mas não foi assim, ou por outra,
tenho conhecido os aspectos sucessivos
de um problema então iniciado.
Por fim deixaste-me em frente ao café,
compraste cigarros ao balcão
apanhaste o autocarro para casa.
Eu, voltando ao cais, passei o resto da tarde
a ver os pescadores, no intervalo da partida,
levantarem do mar as grandes âncoras esquizofrénicas.
Nuno Júdice " Obra Poética"
15.11.07
" Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem.
Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua.
Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor.
Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar!
A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
Gabriel Garcia Marquez*
8.11.07
23.10.07
Preste atenção......leia bem devagarinho!!!! Vale a pena!!!
DEUS: Sim? Estou aqui...
VOCÊ: Por favor, não me interrompa, estou rezando!
DEUS: Mas você me chamou!
VOCÊ: Chamei? Eu não chamei ninguém. Estou rezando.... Pai nosso que estais no céu...
DEUS: Ai, você fez de novo.
VOCÊ: Fiz o que?
DEUS: Me chamou! Você disse: Pai nosso que estais no céu. Estou aqui. Como é que posso ajudá-lo?
VOCÊ: Mas eu não quis dizer isso. É que estou rezando. Rezo o Pai Nosso todos os dias, me sinto bem rezando assim. É como se fosse um dever. E não me sinto bem até cumprí-lo...
DEUS: Mas como podes dizer Pai Nosso, sem lembrar que todos são seus irmãos, como podes dizer que estais no céu, se você não sabe que o céu é a paz, que o céu é amor a todos?
VOCÊ: É, realmente ainda não havia pensado nisso.
DEUS: Mas prossiga sua oração.
VOCÊ: Santificado seja o Vosso nome...
DEUS: Espera ai! O que você quer dizer com isso?
VOCÊ: Quero dizer... quer dizer, é... sei lá o que significa. Como é que vou saber? Faz parte da oração, só isso!
DEUS: Santificado significa digno de respeito, Santo, Sagrado.
VOCÊ: Agora entendi. Mas nunca havia pensado no sentido dessa palavra SANTIFICADO. "Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu..."
DEUS: Esta falando sério?
VOCÊ: Claro! Por que não?
DEUS: E o que você faz para que isso aconteça?
VOCÊ: O que faço? Nada! É que faz parte da oração, além disso seria bom que o Senhor tivesse um controle de tudo o que acontecesse no céu e na terra também.
DEUS: Tenho controle sobre você?
VOCÊ: Bem, eu freqüento a igreja!
DEUS: Não foi isso que Eu perguntei! Que tal o jeito que você trata os seus irmãos, a maneira com que você gasta o seu dinheiro, o muito tempo que você dá a televisão, as propagandas que você corre atrás e o pouco tempo que você dedica a Mim?
VOCÊ: Por favor. Pare de criticar!
DEUS: Desculpe. Pensei que você estava pedindo para que fosse feita a minha vontade. Se isso for acontecer tem que ser com aqueles que rezam, mas que aceitam a minha vontade, o frio, o sol, a chuva, a natureza, a comunidade.
VOCÊ: Esta certo, tens razão. Acho que nunca aceito a sua vontade, pois reclamo de tudo: se manda chuva, peço sol, se manda o sol reclamo do calor, se manda frio, continuo reclamando, se estou doente, peço saúde, mas não cuido dela, deixo de me alimentar ou como muito...
DEUS: Ótimo reconhecer tudo isso. Vamos trabalhar juntos Eu e Você, mas olha, vamos ter vitórias e derrotas. Eu estou gostando dessa nova atitude sua.
VOCÊ: Olha Senhor, preciso terminar agora. Esta oração está demorando muito mais do que costuma ser. Vou continuar: ... "o pão nosso de cada dia nos dai hoje..."
DEUS: Pare ai! Você esta me pedindo pão material? Não só de pão vive o homem, mas também da minha palavra. Quando me pedires o pão, lembre-se daqueles que nem conhecem pão. Pode pedir-me o que quiser, desde que me veja como um Pai amoroso! Eu estou interessado na próxima parte de sua oração. Continue!
VOCÊ: "Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..."
DEUS: E o seu irmão desprezado?
VOCÊ: Está vendo? Olhe Senhor, ele já criticou várias vezes e não era verdade o que dizia. Agora não consigo perdoar. Preciso me vingar.
DEUS: Mas, e a sua oração? O que quer dizer sua oração? Você me chamou, e eu estou aqui, quero que saias daqui transfigurado, estou gostando de você ser honesto. Mas não é bom carregar o peso da ira dentro de você, não acha?
VOCÊ: Acho que iria me sentir melhor se me vingasse!
DEUS: Não vai não! Vai se sentir pior. A vingança não é tão doce quanto parece. Pense na tristeza que me causaria, pense na sua tristeza agora. Eu posso mudar tudo para você. Basta você querer.
VOCÊ: Pode? Mas como?
DEUS: Perdoe seu irmão, Eu perdoarei você e te aliviarei.
VOCÊ: Mas Senhor, eu não posso perdoá-lo.
DEUS: Então não me peças perdão também!
VOCÊ: Mais uma vez está certo! Mais só quero vingar-me, quero a paz com o Senhor. Esta bem, esta bem, eu perdôo a todos, mas ajude-me Senhor. Mostre-me o caminho certo para mim e meus inimigos.
DEUS: Isto que você pede é maravilhoso, estou muito feliz com você. E você, como está se sentindo?
VOCÊ: Bem, muito bem mesmo! Para falar a verdade, nunca havia me sentido assim! É tão bom falar com Deus.
DEUS: Ainda não terminamos a oração. Prossiga...
VOCÊ: "E não deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal..."
DEUS: Ótimo, vou fazer justamente isso, mas não se ponha em situações onde possa ser tentado.
VOCÊ: O que quer dizer com isso?
DEUS: Deixe de andar na companhia de pessoas que o levam a participar de coisas sujas, intrigas, fofocas. Abandone a maldade, o ódio. Isso tudo vai levá-lo para o caminho errado. Não use tudo isso como saída de emergência!
VOCÊ: Não estou entendendo!
DEUS: Claro que entende! Você já fez isso comigo várias vezes. Entra no erro, depois corre a me pedir socorro.
VOCÊ: Estou com muita vergonha, Perdoe-me Senhor!
DEUS: Claro que perdôo! Sempre perdôo a quem esta disposto a perdoar também, mas não esqueça, quando me chamar, lembre-se de nossa conversa, medite cada palavra que fala! Termine sua oração.
VOCÊ: Terminar? Ah, sim, "AMÉM!"
DEUS: O que quer dizer AMÉM?
VOCÊ: Não sei. É o final da oração.
DEUS: Você só deve dizer AMÉM quando aceita dizer tudo o que eu quero, quando concorda com minha vontade, quando segue os meus mandamentos, porque AMÉM! quer dizer, ASSIM SEJA, concordo com tudo que rezei.
VOCÊ: Senhor, obrigado por ensinar-me esta oração e agora obrigado por fazer-me entendê-la.
DEUS: Eu amo cada um dos meus filhos, amo mais ainda aqueles que querem sair do erro, aqueles que querem ser livres do pecado. Abençôo-te e fica com minha paz!
VOCÊ: Obrigado Senhor! Estou muito feliz em saber que és meu amigo
8.10.07
2.10.07
Boa Sorte / Good Luck

27.9.07

26.9.07

Quando ainda havia a esperança. A esperança que
Havia ainda quando, a esperar-te, perdi horas de que
Não me arrependo.
Um instante na memória de chegares é mais valioso
Do que jardins. Do que montanhas. Do que anos de
Tempo.
Arrependo-me de ficar ao sol, de sorrir, de esquecer
Que devagar passam os dias. Os dias passam devagar,
Esquecendo-se de sorrir ao sol e de ficar onde me
Arrependo.
1.9.07
Quanto de ti, Amor...
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na auséncia indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.
Jorge de Sena
in Visão PerpétuaAgosto 1967
7.8.07
Traição
Descansar um momento na subida.
Desde a pele ao tutano
Da alma,
Do mais fundo da vida,
Tudo pedia a calma
Duma pausa na curva do caminho.
Mas bebido o carinho
Duma fonte,
E vestida a frescura
Duma sombra,
Foi um cilício a mais que me picou.
Muito longe de mim, também carne humana,
Seguia a corajosa caravana
Que nenhum desespero demorou.
Miguel Torga " Cântico do Homem"
A minha paixão por ti é eu ser órfão, viver num reformatório e esperar pela visita de alguém que me tire dali.
….
E mesmo quieto, estou aos saltos cá dentro quando te vejo, mesmo mudo, estou a gritar para que me leves daqui.
Fernando Alvim " Quando fugimos tu não estavas em casa"
3.5.07
Ausência
(que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres
(eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a
(tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como um nódoa do passado.
Eu deixarei...tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
(porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos
(no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono
(desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,do vento,do céu,das aves,das estrelas
Serão a tua voz presente,a tua voz ausente,a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes " O poeta não tem fim"
19.4.07
Hoje acordámos em sítios diferentes
almas em fuga para dentro da vida.
Tu, no meio das ruínas paradas, das sombras que já não respiram,
das almas em fuga para longe da vida.
Amanhã, sempre amanhã,tentaremos acordar no mesmo sítio de
sempre e o abismo do medo e da dor irá rir-se de nós enquanto nos
engole ou deixa passar.
Fernando Ribeiro " As feridas essenciais"
Cinco palavras Cinco pedras
Hoje tenho quatro palavras para fazer um poema
São elas: desalento prostação desolação desânimo
E ainda me esquecia de uma: desistência
Ocorreu-me antes do fecho do poema
e em parte resume o que penso da vida
passado o dia oito em cada mês
e delas vem a música precisa
para continuar.Recapitulo:
desistência desalento prostação desolação desânimo
Antigamente quando os deuses eram grandes
eu sempre dispunha de muitos versos
Hoje só tenho cinco palavras cinco pedrinhas
Ruy Belo " Todos os poemas Vol. I"
6.3.07
O inconsciente
Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto
E outras muitas ansioso espreito e sigo,
É um espectro mudo, grave, antigo
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto, ascélico e composto
Mil vezes abro a boca... e nada digo
Só uma vez ousei interrogá-lo;
Quem és (lhe perguntei com grande abalo)
Fantasma a quem odeio e a quem amo?
-" Teus irmãos(respondeu) os humanos,
Chamam-me Deus há mais de mil anos...
Mas eu por mim não sei como me chamo..."
Antero De Quental
5.1.07
Noite de saudade
Sobre a Terra que inunda de amargura
E nem sequer a benção da lua
A quis tornar diurnamente pura...
Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor,que é cheia de tortura...
E eu oiço a noite imensa soluçar!
E eu ouço soluçar a noite escura!
Porque és assim tão escura,assim tão triste?
É que,talvez ò noite,em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu sei de onde me vem...
Talvez de ti ,ó noite!...Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou,nem o que tenho.
Florbela Espanca " Sonetos"
21.12.06
You are welcome to elsinore
wntre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas,que esperam por nós
e outras,frágeis,que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens,palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
as mãos e as paredes de elsinore
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras,os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Mári Cesariny " Quinze poetas portugueses do séc. XX "
24.11.06
Se me amas não chores
onde agora vivo,este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias,se me amas!
Estou já absorvido no encanto de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,uma
enorme ternura que nem tu consegues
imaginar.
Vivo num alegria puríssima.
Nas angústias do tempo pensa nesta casa
onde um dia estaremos reunidos para al´me
da morte,matando a sede na fonte
inesgotável da alegria e do amor infinito.
Não chores,se verdadeiramente me amas!
Santo Agostinho
Verdadeiramente bela esta oração...transmite-me muita paz e sossego
Depois da guerra
grandes lírios cor de sangue,belas rosas
desmaiadas.Depois da guerra vai haver fertelidade,
vai haver natalidade,vai haver felecidade(...)
Depois da guerra não haverá mais tristeza:todo o
mundo se abraçando num geral desarmamento(...)
No meio tempo,vamos dando tempo ao tempo,
tomando nosso chopinho,trabalhando p`ra família.
Se cada um ficar quieto no seu canto,fazendo as
coisas certinho,sem aturar desaforo,se cada um
tomar vergonha na cara,for p`ra guerra,for p`ra fila
com vontade e paciência-não é possível!esse
negócio melhora,porque ou eu muito me engano,
ou tudo isso não passa de um grande,de um
doloroso,e um atroz mal entendido!
Vinicius de Moraes " O poeta não tem fim"
15.10.06
Dizer-lhe as palavras precisas.Certas,esclarecedoras.
Únicas.Assim o homem que rompe a direito,concentrado e decisivo.~
-Não e não!
Não o quê?Não porquê? Será que os outros não sabem?
-ah!-reprova-se aquele velho.se eu voltasse atrás!...-e logo se encoraja-É sempre tempo para se fazer o que se deve!
Que foi que ele não fez?
-Fomos nós?-inquieta-se um outro que o ouviu-Fomos nós e ele que ainda o não fizemos?
Há também quem sorria dos que passam falando sozinhos.Maneira de escapar-se,de fugir aos problemas.
Sorrir e esquecer o que se ouve na rua é estar dormindo.
Não por muito tempo.um breve sono apenas.Os pesadelos do dia-a-dia crescem,sobem,afogam.
-Hão-de acabar por ouvir!-exclama aquele homem à beira do passeio.
Até os que vão calados falam.Pela forma de andar,pelos gestos,ouvem-se-lhes as palavras.E lá vão,entaipados,solitários na multidão.
António da Fonseca " Tempo de solidão"
Que diremos ainda?
sobre dunas e barcos,
e cada um de nós se volta e fixa
os olhos umno outro,
e como deles devagar escorre
a última luz sobre as areias.
Que diremos ainda?Serão palavras,
isto que aflora aos lábios?
Palavras,este rumor tão leve
que ouvimos o dia a desprender-se?
Palavras,ou luz ainda?
Palavras,não.Quem as sabia?
Foi apenas lembrança de outra luz.
Nem luz seria,apenas outro olhar.
Eugénio de Andrade " Quinze poetas portugueses do séc XX"
1.10.06
Caos temporal
em que a noite era branca como o dia
encontrei o caminho para fora
da noite.
De dia,no caminho que me fizera
sair da noite
como se fosse dia encontrei um dia escuro
como a noite.
Entre a noite e o dia
todos os caminhos são
iguais.Só os caminhos que tornam o dia
negro como a noite e a noite
branca como o dia
fazem com que o viajante
se perca.
A não ser que quem ande de dia
como de noite,e de noite
como de dia,não queira saber de
caminhos.
Nuno Júdice "Teoria geral do sentimento"








