Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil
diferença,
entre dar a mão e acorrentar uma alma.E aprendes que
amar não
significa apoiar-se,e que companhia nem sempre
significa segurança.E começas a aprender que beijos não são contratos, e presentes não são promessas.
(...) e não importa o quão boa seja uma pessoa,ela
vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por
isso.Aprendes que falar pode aliviar dores
emocionais.Descobres que se leva anos para se
construir confiança e apenas segundos para
destruí-la,e que podes fazer coisas num instante,das
quais te arrependerás pelo resto da vida.Aprendes que
verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a
longas distâncias.E o que importa não é o que tu
tens na vida,mas quem tens na vida.(...)Descobres
que as pessoas com quem mais te importas na vida,são
tiradas de ti muito depressa;por isso,sempre devemos
deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas;
pode ser a última vez que as vemos.(...)Aprendes
que paciência requer muita prática.(...)Aprendes que
quando estás com riava tens o direito de estar com
raiva,mas isso não dá o direito de seres cruel.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por
alguém.Algumas vezes,tens que aprender a
perdoar-te a ti mesmo.Aprendes que com a mesma
severidade com que julgas,tu serás em algum momento,
condenado.Aprendes que nao importa em quantos pedaços
teu coração foi partido,o mundo não pára para que o
consertes.E,finalmante,aprendes que o tempo,não é
algo que possa voltar para trás.Portanto,planta teu
jardim e decora tua alma,ao invés de esperar que
alguém te traga flores.E percebes que realmante és forte,e que podes
ir muito mais longe depois de pensar que não se pode
mais.E que realmente a vida tem valor,e que tu tens
valor diante da vida!(...)E só nos faz perder o
bem que poderíamos conquistar,o medo de tentar!
Shakespeare
29.8.06
20.7.06
Estoicismo
Tu que não crês,nem amas,nem esperas,
Espírito de eterna negação,
Teu hálito gelou-me o coração
E destroçou-me da alma as primaveras...
Atravessando regiões austeras,
Cheias de noite e cava escuridão,
Como num sonho mau,só ouço um não,
Que eternamente ecoa entre as esferas...
-Porque suspiras,porque te lamentas.
Cobarde coração?Debalde intentas
Opôr à sorte a queixa de egoísmo...
Deixa aos tímidos,deixa aos sonhadores
A esperança vã,seus vãos fulgores....
Sabe tu encarar sereno o abismo!
Antero de Quental " Sonetos"
Espírito de eterna negação,
Teu hálito gelou-me o coração
E destroçou-me da alma as primaveras...
Atravessando regiões austeras,
Cheias de noite e cava escuridão,
Como num sonho mau,só ouço um não,
Que eternamente ecoa entre as esferas...
-Porque suspiras,porque te lamentas.
Cobarde coração?Debalde intentas
Opôr à sorte a queixa de egoísmo...
Deixa aos tímidos,deixa aos sonhadores
A esperança vã,seus vãos fulgores....
Sabe tu encarar sereno o abismo!
Antero de Quental " Sonetos"
a tua ausência é,em cada momento,a tua ausência
não esqueço que os teus lábios existem longe de mim.
aqui há casas vazias.há cidades desertas.há lugares.
mas eu lembro que o tempo é outra coisa,e tenho
tanta pena de perder um instante dos teus cabelos.
aqui não há palavras.há a tua ausência.há o medo sem os
teus lábios,sem os teus cabelos.fecho os olhos para te ver
e para não chorar.
José luís peixoto " A casa, a escuridão"
dedicado a um anjo que tenho a certeza que nunca mais vou ver na minha vida.
obrigada por tudo....e por me ajudares imenso neste capítulo que passou recentemente..
nunca esquecerei esses lindos olhos negros..
nunca te esquecerei..bj
não esqueço que os teus lábios existem longe de mim.
aqui há casas vazias.há cidades desertas.há lugares.
mas eu lembro que o tempo é outra coisa,e tenho
tanta pena de perder um instante dos teus cabelos.
aqui não há palavras.há a tua ausência.há o medo sem os
teus lábios,sem os teus cabelos.fecho os olhos para te ver
e para não chorar.
José luís peixoto " A casa, a escuridão"
dedicado a um anjo que tenho a certeza que nunca mais vou ver na minha vida.
obrigada por tudo....e por me ajudares imenso neste capítulo que passou recentemente..
nunca esquecerei esses lindos olhos negros..
nunca te esquecerei..bj
9.7.06
Cheguei hoje, de repente a uma sensação absurda e justa.
Reparei, num relâmpago íntimo, que nã o sou ninguém.Ninguém,
absolutamnte ninguém.Quando brilhou o relâmpago,
aquilo onde supus uma cidade era um plaino deserto; e a luz
sinistra que me mostrou a mim não revelou céu acima dele.
Roubaram-me o poder ser antes que o mundo o fosse. Se tive
que reincarnar,reincarnei sem mim, sem eu ter reincarnado.
Sou os arredores de uma vila que não há,o comentário prolixo a um livro
que não se escreveu. Não sou ninguém,ninguém.Não sei sentir, nem pensar, não sei querer.
Sou uma figura de romance por escrever,passando aérea, e desfeita sem
ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar.
Penso sempre, sinto sempre; mas o meu pensamento não contém raciocínios, a minha emoção não contém emoções.Estou caindo, depois do alçapão lá em cima, por todo o espaço infinito, numa queda sem direcção,infinítupla e vazia.Minha alma é um maelstrom negro, vasta vertigem à roda de vácuo, movimento de um oceano infinito em torno de um buraco em nada,
e nas águas que são mais giro que águas bóiam todas as imagens do que vi e ouvi no mundo-
vão casas, caras, livros, caixotes, rastros de música e sílabas de vozes, num rodopio
sinistro e sem fundo.
E eu, verdadeiramnet eu, sou o centro que não há nisto
senão por uma geometria do abismo; sou o nada em torno do
qual este movimento gira,só para que gire, só para que gire, sem que esse centro
exista senão porque todo o círculo o tem.Eu, verdadeiramente eu, sou o poço sem muros, mas com a viscosidade dos muros, o centro de tudo com o nada à roda.
E é, em mim, como se o inferno ele mesmo risse, sem ao menos a humanidade de diabos a rirem, a loucura grasnada do universo morto, o cadáver rodante do espaço físico, o fim de todos os mundos flutuando negro ao vento, disforme, anacrónico, sem Deus que o houvesse criado, se, ele mesmo que está rodando nas trevas das trevas, impossível, único, tudo.
Poder saber pensar!Poder saber sentir!
Minha mãe morreu muito cedo, e eu não a cheguei a conhecer...
Bernardo Soares " Livro Do Desassossego"
Reparei, num relâmpago íntimo, que nã o sou ninguém.Ninguém,
absolutamnte ninguém.Quando brilhou o relâmpago,
aquilo onde supus uma cidade era um plaino deserto; e a luz
sinistra que me mostrou a mim não revelou céu acima dele.
Roubaram-me o poder ser antes que o mundo o fosse. Se tive
que reincarnar,reincarnei sem mim, sem eu ter reincarnado.
Sou os arredores de uma vila que não há,o comentário prolixo a um livro
que não se escreveu. Não sou ninguém,ninguém.Não sei sentir, nem pensar, não sei querer.
Sou uma figura de romance por escrever,passando aérea, e desfeita sem
ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar.
Penso sempre, sinto sempre; mas o meu pensamento não contém raciocínios, a minha emoção não contém emoções.Estou caindo, depois do alçapão lá em cima, por todo o espaço infinito, numa queda sem direcção,infinítupla e vazia.Minha alma é um maelstrom negro, vasta vertigem à roda de vácuo, movimento de um oceano infinito em torno de um buraco em nada,
e nas águas que são mais giro que águas bóiam todas as imagens do que vi e ouvi no mundo-
vão casas, caras, livros, caixotes, rastros de música e sílabas de vozes, num rodopio
sinistro e sem fundo.
E eu, verdadeiramnet eu, sou o centro que não há nisto
senão por uma geometria do abismo; sou o nada em torno do
qual este movimento gira,só para que gire, só para que gire, sem que esse centro
exista senão porque todo o círculo o tem.Eu, verdadeiramente eu, sou o poço sem muros, mas com a viscosidade dos muros, o centro de tudo com o nada à roda.
E é, em mim, como se o inferno ele mesmo risse, sem ao menos a humanidade de diabos a rirem, a loucura grasnada do universo morto, o cadáver rodante do espaço físico, o fim de todos os mundos flutuando negro ao vento, disforme, anacrónico, sem Deus que o houvesse criado, se, ele mesmo que está rodando nas trevas das trevas, impossível, único, tudo.
Poder saber pensar!Poder saber sentir!
Minha mãe morreu muito cedo, e eu não a cheguei a conhecer...
Bernardo Soares " Livro Do Desassossego"
18.6.06
Pois é........
| este blog costuma ser um pouco impessoal porque normamente nao opino sobreo o que escrevo....mas hoje tenho uma notícia para dar que acho que devo partilhar com todos os que perdem um pouco do seu tempo para me visitar.. Ora bem..nem sei como começar..... Sou bombeira nos bombeiros voluntários da póvoa de lanhoso.sempre quis fazer isto...mas só agora foi possível concretizar este sonho antigo..... não sei porque estou a dizer isto..mas talvez por orgulho =) e um pouco de vaidade LOL..... mas pronto..assim ficam a conhecer um pouco mais sobre o meu mundo tão ainda desconhecido para muitos de vós.. Bj* MAKE LOVE...FUCK THE WAR |
| Aqui me tens inútil cheia de palavras perto de ti tão longe mastigando todas as pétalas dos teus crisântemos afiando solos de violino para me suicidar. Descubro de novo as lágrimas esquecidas no fundo das grutas o trémulo grito do silêncio. Anoiteço à procura dos dias que as gaivotas beberam. E a tua voz sem corpo súbita e descuidada enche-me as ancas de bagos de romã. Rosa Lobato Faria " As pequenas palavras" |
11.6.06
Out tonight
| Today,i want to feel alive I`ll try not to run I`ll try not to hide. Sometimes,i find myself looking For something to belive, Something to dream,can I ? I want to go out tonight I need to free my mind, I want to be me,just me Need to be free,just free Tonight Oh,time changed so many faces and places I would like to go out and see what´s breaking You left your name and number on a wall At least you laughed the last time you called I want to go out tonight, I need to free my mind, Want to be me,just me Need to be free,just free I want to say yea,yea,yeaeee Tonight ezspecial " in n `out" |
1.6.06
todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve
de nada.ficaram só
os papéis e a tristeza,ficou só a amargura e a cinza dos cigarros
e da morte.
os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram
suficientes e foram
demasiadas porque hoje são como sangue no teu rosto,são como
lágrimas.
sei que nos amamos muito e um dia,quando já não te encontro e em
cada instante,em cada hora,
não irei negar isso.não irei negar nunca que te amei.nem mesmo
quando estiver deitado
nu,sobre os lençois de outra e ela me obrigar a dizer que
a amo
antes de a foder.
José Luís Peixoto " A criança em ruínas"
de nada.ficaram só
os papéis e a tristeza,ficou só a amargura e a cinza dos cigarros
e da morte.
os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram
suficientes e foram
demasiadas porque hoje são como sangue no teu rosto,são como
lágrimas.
sei que nos amamos muito e um dia,quando já não te encontro e em
cada instante,em cada hora,
não irei negar isso.não irei negar nunca que te amei.nem mesmo
quando estiver deitado
nu,sobre os lençois de outra e ela me obrigar a dizer que
a amo
antes de a foder.
José Luís Peixoto " A criança em ruínas"
Os olhos das crianças
Estes olhos vazios e brilhantes
que na criança se abrem para o mundo,
não amam,
não odeiam,
não sabem como a morte existe.
São terríveis.
Porque a vida é isto.
O amor, o medo, o ódio, a mesma morte,
e este desejo de possuir alguém,
os aprendemos.Nunca mais olhamos
com tal vazio dentro das pupilas.
São terríveis
Porque a vida é isto.
Jorge de Sena
Dedicatória a todas as crianças
por esse universo que estão sós...hoje é o seu dia
que na criança se abrem para o mundo,
não amam,
não odeiam,
não sabem como a morte existe.
São terríveis.
Porque a vida é isto.
O amor, o medo, o ódio, a mesma morte,
e este desejo de possuir alguém,
os aprendemos.Nunca mais olhamos
com tal vazio dentro das pupilas.
São terríveis
Porque a vida é isto.
Jorge de Sena
Dedicatória a todas as crianças
por esse universo que estão sós...hoje é o seu dia
28.5.06
O jovem mágico
| .... .... Basta ver os meus olhos nada sabemos de nós a não ser que chegamos. Sem uma luz a esconder-nos o rosto belos e apavorados de estranhos casacos vestidos altos de meter medo às aves de longo curso nem há noites assim não há encontros ao longo das enseadas não há corpos amantes não há lugares de astros sob tanto silêncio tão duradoura treva e não me fales nunca eu sou surdo e não te oiço eu vou nascer numa cidade futura eu sei atravessar as fronteiras das coisas olha para as minhas mãos que te pareço agora? .... Mário Cesariny de Vasconcelos " Poesia" |
11.5.06
A morte não é nada.Eu só passei para o quarto ao lado.
Eu sou eu,tu és tu,o que nós éramos uma para a outra,
nós o seremo sempre.
Chama-me como tu sempre me chamaste.
Fala comigo como sempre o fizeste
Não uses um tom diferente,não fiques com ar solene ou triste.
Continua a rir daquilo que nos fazia rir juntas.
Reza,ri-te,pensa em mim,reza por mim.
Que o meu nome seja pronunciado em casa como ele sempre foi,
sem um traço,sem uma sombra.
A vida significa tudo o que sempre significou.
Ela é o que sempre foi.O fio não está cortado!
Porque estarei eu fora de vista ?
Eu espero-te.Eu não estou longe.
Apenas dou outro lado do caminho,no quarto ao lado.
Como vês tudo está bem.
Desconhecido(encontrei este poema num dos meus apontamentos de uma cadeira da universidade-bioética..e achei fabulosa esta discrição da morte..essa que tantas vezes nos faz chorar)
Eu sou eu,tu és tu,o que nós éramos uma para a outra,
nós o seremo sempre.
Chama-me como tu sempre me chamaste.
Fala comigo como sempre o fizeste
Não uses um tom diferente,não fiques com ar solene ou triste.
Continua a rir daquilo que nos fazia rir juntas.
Reza,ri-te,pensa em mim,reza por mim.
Que o meu nome seja pronunciado em casa como ele sempre foi,
sem um traço,sem uma sombra.
A vida significa tudo o que sempre significou.
Ela é o que sempre foi.O fio não está cortado!
Porque estarei eu fora de vista ?
Eu espero-te.Eu não estou longe.
Apenas dou outro lado do caminho,no quarto ao lado.
Como vês tudo está bem.
Desconhecido(encontrei este poema num dos meus apontamentos de uma cadeira da universidade-bioética..e achei fabulosa esta discrição da morte..essa que tantas vezes nos faz chorar)
28.4.06
Right now(i might fall down)
Tonight i feel that you`re alone
Waitinga sad inside inside your homeless soul
Where´s so cold
some words are to be said not to understand
Now you show me your regret and pain
but baby its all the same
Right now
You know you don´t want this game
I´m not saying you´re the one to blame
Please try to understand
Love me for real
And beg me for nothing,nothing at all
Don´t ask me to feel your shoes with my dancing
Sometimes i might fall down
When the winds are changing
And they´re changing
Right now
Baby i don´t want this game
I´m not saying you´re the one to blame
Your groove is not the same
I don´t know
What you´re looking for
I give you all i got
But you want more
Something i don´t feel
Love me for real
And beg me for notnhing,nothing at all
Don´t ask me to feel your shoes with my dancing
Sometimes i might fall down
When the winds are changing
And they´re changing
Right now
Blister "Without truth you are the loser"
Waitinga sad inside inside your homeless soul
Where´s so cold
some words are to be said not to understand
Now you show me your regret and pain
but baby its all the same
Right now
You know you don´t want this game
I´m not saying you´re the one to blame
Please try to understand
Love me for real
And beg me for nothing,nothing at all
Don´t ask me to feel your shoes with my dancing
Sometimes i might fall down
When the winds are changing
And they´re changing
Right now
Baby i don´t want this game
I´m not saying you´re the one to blame
Your groove is not the same
I don´t know
What you´re looking for
I give you all i got
But you want more
Something i don´t feel
Love me for real
And beg me for notnhing,nothing at all
Don´t ask me to feel your shoes with my dancing
Sometimes i might fall down
When the winds are changing
And they´re changing
Right now
Blister "Without truth you are the loser"
20.4.06
| "A nossa vida é composta em grande parte por sonhos. temos de encaminhá-los para a acção!" Faz com que os teus sonhos comecem a fazer parte da tua realidade acreditando neles com a maior força e nunca deixes de lutar por aquilo que tu acreditas!!! Fada* Beijinho grande pa ra ti Sarinha..gosto muito de ti |
19.4.06
| Já há algum tempo que George deixou de trazer-lhe flores ou outros presentes.Actualmente,não há nada de significativo que possa trazer do exterior para este quart; nem mesmo ele próprio.Tudo o que lhe interessa agora está aqui neste quarto,onde está absorvida no processo da morte.Contudo, a sua preocupação não parece ego´sita; não exclui George ou qualquer outra pessoa que se dê ao trabalho de compartilhá-la.Esta preocupação é com a morte, etodos nós podemos partilhá-la,em quaçquer altura, em qualquer idade,doentes ou sãos. George senta-se agora a seu lado e pega-lhe na mão. Se o tivesse feito à dois dois meses atrás,ter-se-ia tratado de um gesto terrivelmente falso./(Uma das suas recordações mais amargas e vergonhosas tem a ver com uma vez em que a beijou na face-foi uma agressão,um acto de masochismo?Oh,raios partam todas estas palavras!- exactamente depois de descobrir que ela fora para a cama com Jim.Jim estava presente quando isso aconteceu. Quando George se encaminhou para ela para a beijar, Jim fez um ara espantado e assustado,como se receasse que George fosse mordê-la como uma cobra.)Mas agora não está a ser falso ao pegar na mão de Doris,nem mesmo a cometer um acto de compaixão.É necessário-desco- brui-o em visitas anteriores-a fim de estabelecer um contacto mesmo que parcial.E ,ao pegar-lhe na mão,sen- te-se embaraçado coma sua doença,pois esse gestes signi- fica estamos no mesmo barco,em breve seguir-te-ei.Deste modo estará desculpado pelo facto de ter de fazer aquelas perguntas horríveis que se fazem aos doentes.Como está? Como estão a correr as coisas?Como se sente? Doris esboça um sorriso débil.Será poque lhe agrada Que ele tenha vindo? |
ISHERWOOD " Um Homem no singular"
9.4.06
Noite
Deixo atrás- o quê ? que sombras
vagas me perseguem ainda, como insectos que nenhuma treva
assusta ?Fujo! E as asas calcárias do louva-a-deus
colam-se-me às costas.Voo,agora,levando comigo
o fogo terrestre.Nenhum orizonte de ontem me poupará
o remorso de uma eternidade crepuscular: céus cinzentos
que entrevejo da esplanada branca do casino;o barco imóvel,
na enseada,apontando o nascente. E desço a escada
de pedra,com um lento rasto de caracol nocturno,
levando comigo a fúnebre notícia: " Ali,
onde um astro pousara o seu casco,deixando a luminosa
impressão de um fundo musical, os meus olhos beberam o último
brilho";e uma constelação de sais prendeu a sonâmbula
inspiração do vento.
Nuno Júdice "Obra Poética"
vagas me perseguem ainda, como insectos que nenhuma treva
assusta ?Fujo! E as asas calcárias do louva-a-deus
colam-se-me às costas.Voo,agora,levando comigo
o fogo terrestre.Nenhum orizonte de ontem me poupará
o remorso de uma eternidade crepuscular: céus cinzentos
que entrevejo da esplanada branca do casino;o barco imóvel,
na enseada,apontando o nascente. E desço a escada
de pedra,com um lento rasto de caracol nocturno,
levando comigo a fúnebre notícia: " Ali,
onde um astro pousara o seu casco,deixando a luminosa
impressão de um fundo musical, os meus olhos beberam o último
brilho";e uma constelação de sais prendeu a sonâmbula
inspiração do vento.
Nuno Júdice "Obra Poética"
31.3.06
Antes que seja tarde
| Amigo, tu que choras uma angústia qualquer e falas de coisas mansas como o luar e paradas como as águas de um lago adormecido, acorda! Deixa de vez as margens do regato solitário onde te miras como se fosses a tua namorada. Abandona o jardim sem flores desse país inventado onde tu és o único habitante. Deixa os desejos sem rumo de barco ao deus-dará e esse ar de renúncia às coisas do mundo. Acorda,amigo, liberta-te dessa paz podre de milagre que existe apenas na tua imaginação. Abre os olhos e olha abre os braços e luta! Amigo, antes da morte vir nasce de vez para a vida. Manuel da Fonseca " Poemas completos" |
23.3.06
Pergunto-me quanta gente nesta cidade
Pergunto-me quanta gente nesta cidade
vive em apartamentos mobilados.
Altas horas da noite quando olho os outros prédios
juro que vejo um rosto em cada janela
que me olha também
e quando volto para dentro
pergunto-me quantos se sentam às suas escrivaninhas
e escrevem isto
Leonard Cohen " Filhos da neve"
vive em apartamentos mobilados.
Altas horas da noite quando olho os outros prédios
juro que vejo um rosto em cada janela
que me olha também
e quando volto para dentro
pergunto-me quantos se sentam às suas escrivaninhas
e escrevem isto
Leonard Cohen " Filhos da neve"
12.3.06
Descrição de um lugar
Sou um reflexo no vidro.Olho-me
fixamente, e o poema capta-me nesta atitude.
Pudesse eu conhecer-me como se conhece
o poema...
Deixo um retrato de mim,morto,
há um ano por esta altura.Que me aconteceu,
entretanto?De quem é este corpo
que me é estranho pálido habitante de um movimento
indeciso e aparente?Quem sinto quando me toco,
quem me dorme,quem me pensa,
quem me escreve? O meu rosto enconbre um pronome.vivo
uma sintaxe corrupta no patamar marítimo
do mito.Quem me impede o sentimento?Quem me abre
um caminho que não sigo,condeno o outro
de mim próprio?
No entanto,estou aqui.Entre mim e o poema,
opaco a ambos,sem nada para dizer.
Nuno Júdice "Obra poética"
fixamente, e o poema capta-me nesta atitude.
Pudesse eu conhecer-me como se conhece
o poema...
Deixo um retrato de mim,morto,
há um ano por esta altura.Que me aconteceu,
entretanto?De quem é este corpo
que me é estranho pálido habitante de um movimento
indeciso e aparente?Quem sinto quando me toco,
quem me dorme,quem me pensa,
quem me escreve? O meu rosto enconbre um pronome.vivo
uma sintaxe corrupta no patamar marítimo
do mito.Quem me impede o sentimento?Quem me abre
um caminho que não sigo,condeno o outro
de mim próprio?
No entanto,estou aqui.Entre mim e o poema,
opaco a ambos,sem nada para dizer.
Nuno Júdice "Obra poética"
3.3.06
Olho-te e a morte ronda perto.Jogo com o tempo com essa presença que me assusta e atrai.Há em ti qualquer coisa de irremediável,de profundo desespero.
" O meu amanhã é a sombra.Corpo corrompido..Tenho medo da minha morte...."-disseste
Ouve:
Era uma vez um Homem que se queria renovado.
Era uma vez um Homem que se aturdia com mu«inutos tão cheios que não tinham ecos de relógio.E o ar juvenil,a adoração da mulher a dizê-lo vivo e belo e capaz...O Homem bebeu o mais que pode da seiva jovem,para provar a distância da morte.Por momentos,o homem cansado foi efebo e fauno,o homem doente foi gazela veloz,cavalo alado,grito de esperança.
Enternecedor esse sorriso de homem frágil,à procura do renascer.
Homem fugindo da evidência.
Maria graciette Bessse " Mulher sentada no silêncio"
" O meu amanhã é a sombra.Corpo corrompido..Tenho medo da minha morte...."-disseste
Ouve:
Era uma vez um Homem que se queria renovado.
Era uma vez um Homem que se aturdia com mu«inutos tão cheios que não tinham ecos de relógio.E o ar juvenil,a adoração da mulher a dizê-lo vivo e belo e capaz...O Homem bebeu o mais que pode da seiva jovem,para provar a distância da morte.Por momentos,o homem cansado foi efebo e fauno,o homem doente foi gazela veloz,cavalo alado,grito de esperança.
Enternecedor esse sorriso de homem frágil,à procura do renascer.
Homem fugindo da evidência.
Maria graciette Bessse " Mulher sentada no silêncio"
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