6.5.08



E hoje quem sou eu?
You don´t have to worry about me...
Sory.. I´ll do it again

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos.
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

Vinicius de Moraes
Gosto de coisas tristes mas contentes. Não disse isto, desculpa, o que quero dizer é que gosto de coisas felizes, mas tristes. Ora, “a mesma coisa”, dirás! Talvez, mas o que te quero revelar é que sinto que sempre gostei de chorar quando estou alegre. A tristeza mais bela de todas é a felicidade com lágrimas nos olhos.
( Fernando Alvim)

4.5.08

Uma das minhas preocupações constantes é o compreender como é que outra gente existe, como é que há almas que não sejam a minha, consciências estranhas à minha consciência, que, por ser consciência, me parece ser a única. Compreendo bem que o homem que está diante de mim, e me fala com palavras iguais às minhas, e me fez gestos que são como eu faço ou poderia fazer, seja de algum modo meu semelhante. O mesmo,porém, me sucede com as gravuras que sonho das ilustrações, com as personagens que vejo dos romances, com as pessoas dramáticas que no palco passam através dos actores que figuram.

Ninguém, suponho,admite verdadeiramente a existência real de outra pessoa. Pode conceder que essa pessoa seja viva, que sinta e pense como ele; mas haverá sempre um elemento anónimo de diferença, uma desvantagem materializada. Há figuras dos tempos idos,imagens espíritos em livros, que são para nós realidades maiores que aquelas indiferenças incarnadas que falam connosco por cima dos balcões , ou nos olham por acaso nos eléctricos, ou nos roçam,transeuntes, no acaso morto das ruas. Os outros não são para nós mais que paisagem, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida.

Tenho por minhas, com maior parentesco intimidade, certas figuras que estão escritas nos livros, certas imagens que conheci de estampas, do que muitas pessoas, a que chamam reais, que são dessa inutilidade metafísica chamada carne e osso. E “ carne e osso”, de facto, as descreve bem; parecem coisas cortadas postas no exterior marmóreo de um talho, mortes sangrando como vidas, pernas e costelas de Destino.

Não me envergonho de sentir assim porque já vi que todos sentem assim. O que parece haver de desprezo entre homem e homem, de indiferente que permite que se mate gente sem que se sinta que se mate, como entre os soldados, é que ninguém presta a devida atenção ao facto, parece que abstruso, de que os outros são almas também.


Livro Do Desassossego

1.5.08

Amália - Abandono

David Mourão Ferreira neste poema fez homenagem aos presos politicos do anterior Regime Português, que eram deportados para o campo do Tarrafal nas Ilhas de CaboVerde, Alaín Oulman, fez esta música tão envolvente que até uma pessoa se arrepia ao uvir a Grande Amália, em uma das suas mais belas criações.

27.4.08


Até que a morte nos separe*

22.4.08




Não me procures
Não sei qual o meu destino
Procuro a imensidão deste mundo tão pequeno
Sou uma rebelde em mim, em nada e em ninguém
Tenho como meta o infinito o nada o absoluto a certeza do ser quem nunca fui
Quero fazer do palco a minha vida
Ser uma personagem diferente todos os dias
Rir,Chorar,Gritar sem medo
Apregoar a lenda mais bela
Cantar a canção mais absurda
Não me condenes por ser assim
Não quero um mundo igual a toda a gente
Quero ser livre e voar para bem longe daqui
Para um lugar onde não me encontres
Para um lugar infinito onde o presente e o futuro nunca exista
Quero ser assim em mim
Deixa-me ser feliz

16.4.08

CARTA A MEUS FILHOS sobre os fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de urna classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de té-1a.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga
- não hão-de ser em vão. Confesso que
multas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E. por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena

10.4.08

Porcupine Tree Don't Hate Me


A light snow is falling on London

All sign of the living has gone

The train pulls into the stations

And no-one gets off and no-one gets on


Don't hate me

I'm not special like you

I'm tired and

I'm so alone

Don't fight me

I know you'll never care

Can I call you on the telephone, now and then?


One light burns in a window

It guides all the shadows below

Inside the ghost of a parting

And no-one is left, just the cigarette smoke

30.3.08


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu and
oa limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
Mário Cesariny

27.3.08

Dia Mundial do Teatro

Existem várias hipóteses sobre as origens do teatro, mas aquela que mais questiona o meu espírito tem a forma de uma fábula:

Uma noite, em tempos imemoriais, um grupo de homens tinha-se reunido numa pedreira para se aquecer à volta de uma fogueira a contar histórias. Quando de repente, um deles teve a ideia de se levantar e usar a sua própria sombra para ilustrar a sua história. Socorrendo-se da luz das chamas, fez aparecer nas paredes da pedreira figuras maiores do que o natural. Os outros, deslumbrados, foram reconhecendo o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.

No nosso tempo, a luz dos projectores substitui a luz da fogueira original e a maquinaria de cena as paredes da pedreira. E com todo o respeito por certos puristas, esta fábula recorda-nos que a tecnologia está na verdadeira origem do teatro, que não deve ser considerada como uma ameaça, mas como um elemento congregador.

A sobrevivência da arte teatral depende da sua capacidade de reinventar-se, utilizando novas ferramentas e novas linguagens. Caso contrario, como poderia o teatro continuar a ser o testemunho dos grandes embates da sua época e promover a compreensão entre os povos, se ele mesmo não desse prova de abertura? Como poderia orgulhar-se de oferecer soluções para os problemas de intolerância, de exclusão e de racismo, se, na sua própria prática, se recusasse à mestiçagem e à integração?

Para representar o mundo com toda a sua complexidade, o artista deve propor formas e ideias novas e mostrar confiança na inteligência do espectador capaz de reconhecer, ele próprio, a silhueta da humanidade nesse jogo perpétuo de luz e sombra.


É verdade que, por brincar demais com o fogo, o homem corre o risco de se queimar, mas pode também ter a possibilidade de deslumbrar e de iluminar.



ROBERT LEPAGE
QUEBEC

26.3.08

Amnesty International | Your signature is more powerful than

Vale mesmo a pena pensar nisto

Basta de indiferença

16.3.08

O melhor será não voltarmos a ver-nos. O tempo prega-nos constantes partidas e chegadas. Tu chegaste quando julguei que mais ninguém chegaria.
Com o meu pequeno coração no centro do meu corpo líquido fui perdendo qualquer esperança.
Uma a uma.
Na vida que vai sucedendo aos dias.
Na desilusão que tudo vai apagando e assim o merece.
Mesmo na vitória há um pouco de fim, porque toda a vitória é efémera e não volta.
Vi-te a sair. Disse o teu nome.
Não te viraste.Talvez não fosses tu.

Pedro Paixão " Ladrão de Fogo"

11.3.08


Tudo o que sagrado existe, tudo o que de profano me abraça, é apenas amor sem dor,dor sem amor.Hipnotizado pelos olhos da escuridão, quero procurar a penumbra e conhecer o sonho da vida. A minha alma leva-me para demasiado longe,apodreço dentro do meu próprio caixão, o céu puro arde e une-se ao inferno. Um estranho circuito nasce e cobre a Humanidade.


Daniel Sampaio "Lições do Abismo"

23.2.08






"Não hei-de morrer sem conhecer a cor da liberdade" (Jorge de Sena)

20.2.08

18.2.08

Mudar


Hoje é um dia especial...

Hoje alguém teve paciência para dispender do seu tempo e me ensinar uma verdadeira lição de vida que já não ouvia à muito.

Por ti eu juro que vou tentar e ficarás orgulhoso de mim.

Espero que este dia seja um dia a mais nas nossas vidas.

Quero que me digas que valeu a pena...








(Basta esquecer que te conheço, não me lembrar de

nada que me faça sofrer)


22.1.08

14.1.08



Dying Slowly

28.12.07

The Last Song I´m Waisting on you

Sparkling grey,
Through my own veins.
Any more than a whisper,
Any sudden movement of my heart.
And I know, I know I'll have to watch them pass away
Just get through this day
Give up your way, you could be anything,
Give up my way, and lose myself, not today
That's too much guilt to pay
Sickened in the sun
You dare tell me you love me
But you held me down and screamed you wanted me to die
Honey you know, you know I'd never hurt you that way
You're just so pretty in your pain
Give up my way, and I could be anything
I'll make my own way
Without your senseless hate... hate... hate... hate.
So run, run, run
And hate me, if it feels good.
I can't hear your screams anymore
You lied to me
But I'm older now
And I'm not buying baby
Demanding my response
Don't bother breaking the door down
I found my way out
And you'll never hurt me again.
Evanescence
your eyes are so blue

20.12.07

Separação do príncipe e da escrava

Não tem de ser triste. Às vezes, o tempo parte. Nós
Vemo-lo ao longe, afasta-se devagar, e não tem de ser triste.



Hoje, eu caminho na direcção do passado. Tu caminhas para
O futuro. A noite. Depois desta noite, para mim, será ontem.



Depois desta noite, tu estarás em amanhã. Saberemos que haverá
Muitas noites. Haverá dias, meses e anos que atravessaremos.


Atravessei muitos anos, direi. Atravessarás muitos anos, dirás.
Sabemos que o passado e o futuro são caminhos que se cruzam


Não tem de ser triste. Talvez eu te encontre num dia em que eras
Muito nova, uma criança. Talvez eu sorria. Talvez tu sorrias.



Talvez tu me encontres num dia em que eu seja já muito velho,
Sem esperança de te voltar a ver. Talvez eu sorria. Talvez tu sorrias.



Não tem de ser triste. Vamos separar-nos agora. Este instante,
agora, será o teu passado. Este instante, agora, será o meu futuro.



José Luís Peixoto " A casa, a escuridão"

12.12.07

Why Do I Desire

Porquê desejo
O que não preciso?
Porquê busca a minha alma, como o fogo,
Ou uma abstracta ansia incandescente,
Tudo o que fica mais além?
Porquê, senao por
Ser uma alma?
Quem pode conhecer a causa
Quando em sua totalidade jaz
Escondida em leis?
Que isso nao conte.
O que conta é a dor
E a mais intima agitação
De suspeitarmos
Que os nossos desejos são inalcançáveis.


Poemas Ingleses - Pessoa Inedito
Fernando Pessoa